Três dias homenageando Gonzagão

No coração de São Paulo, uma justa homenagem àquele que cantou o coração do Nordeste.

Ele morreu a quase vinte anos, em 02 de Agosto de 1989 em Recife. Enquanto vivo, cantou de forma simples e marcante a vida do Nordestino, suas aventuras e tristezas, a migração para o Sul do Brasil e o retorno feliz ao Nordeste. Eternizou o forró como ritmo original do Nordeste e levou para o mundo o som único da sanfona.

Luiz Gonzaga, pernambucano, nascido em Exú em 13 de Dezembro de 1912 na fazenda Caiçara, eleito Pernambucano do Século XX e símbolo maior do Nordeste, recebe desde o dia 17/07/2009 (sexta-feira) uma justa homenagem do Governo do Estado de São Paulo por sua indiscutível contribuição à música brasileira. Foram três dias de muita festa no Vale do Anhangabaú, região Central da cidade de São Paulo, que recebeu artistas renomados da música brasileira e seguidores de Gonzaga. As principais atrações foram a Paraibana, Elba Ramalho, o Pernambucano e herdeiro de Luiz, Dominguinhos e o bicho maluco beleza de São Bento do Una, Alceu Valença. Passaram ainda pelos dois palcos montados no coração de São Paulo, a banda Cordel do Fogo Encantado, a dupla Cajú e Castanha, Oswaldinho do Acordeon, a banda de Pífanos de Caruaru e como grande atração, a família Gonzaga (com Chiquinha Gonzaga – irmã de Luiz- Joquinha e Sérgio Gonzaga).

O evento traz a figura de Gonzagão como símbolo do povo Nordestino, que desde o processo imigratório para o Sudeste do País, é responsável pela construção e manutenção do maior pólo econômico do Brasil.

Eu estive lá em dois dias da festa (sábado e domingo) e acompanhei de perto a alegria das mais de 10 mil pessoas que passaram pelo local do evento ao ver as músicas e histórias de Gonzagão sendo cantadas e contadas por artistas que se inspiraram na simplicidade e humildade das canções de Luiz.

Para Carlos Roberto de Freitas Pereira, jornalista e presidente da ANESP – Associação dos Nordestinos do Estado de São Paulo, um evento desse tamanho, idealizado e organizado pela Secretária de Cultura do Estado de São Paulo é o maior reconhecimento que o Nordeste está presente de forma decisiva no Brasil. “Quando vejo o Governo do Estado pensando em homenagear o maior ídolo do Nordeste, só posso crer que estamos muito bem representados”, afirma Carlos. Ele me mostrou um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas que indica que 82% da população da cidade de São Paulo têm raiz nordestina (filhos ou netos). Na cidade de Guarulhos esse índice chega a 90%. É a prova maior que a cultura e os traços nordestinos estão enraizados na região Sudeste.

Com todas as pessoas que conversei nos dois dias o tema sempre era a felicidade de ver um evento criado especialmente para o povo nordestino. Em todas as conversas estava presente o sonho de um dia voltar ao Nordeste, assim como fez o Rei do Baião no final de sua vida. Era visível o orgulho das pessoas que lá estavam vestindo roupas tradicionais do Nordeste, camisas com a bandeira de seus estados (e Pernambuco era ampla maioria), camisas dos clubes de futebol do Nordeste e sempre o acolhedor sorriso do Nordestino seguido da pergunta tradicional: Tu é de onde?

Ao final do evento fica a certeza absoluta de que o antigo preconceito contra o povo Nordestino se dissipa cada vez mais rápido com a inserção da região Nordeste no cenário nacional e o seu tardio reconhecimento como uma região sócio e economicamente progressista.

Jorge Carvalho Possetti é Jornalista.

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2 comentários

  1. Prezado Jorge Possetti, e internautas do araripina! até que emfim, a maior metrópole do País, prestou uma justa e grande homenagem ao maior ícone da música popular nordestina e brasileira.

    Também estive lá durante dois dos três dias de festa e pude observar que o povo ainda gosta do velho e tradicional forró pé de serra, a nova geração só não curte mais, por que o rádio e a tv não toca, e empurra de guela abaixo só aquilo que lhe interessa, pago pelo famosos jabás.

    Cacá Lopes
    Cantor e compositor/Cordelista

  2. Carta aos Senhores Prefeitos

    Gostaria de entender qual a grande dificuldade ou os motivos do pouco interesse do Poder Público Municipal na identificação de algumas – às vezes muitas – ruas e logradouros públicos de muitos bairros da periferia das cidades brasileiras.

    A falta de placas denominativas de muitas ruas de bairros, da periferia das cidades, gera vários tipos de prejuízos aos seus munícipes. Particularmente, nas situações de emergência, quando das chamadas de ambulância, polícia, Corpo de Bombeiros, táxi ou dificuldades para os carteiros, entregadores de encomendas de uma maneira geral e para visitantes da cidade.

    A falta de placas denominativas nas ruas, muitas vezes, provoca atrasos na chegada das pessoas a seus destinos; consequentemente, elas sofrem também perdas financeiras. Quando uma pessoa, na madrugada, procura uma rua e naquela região não existe placa denominativa e não é possível encontrar alguém para pedir informação, a situação acaba virando um martírio.

    O município que valorizar a fixação de placas, indicando a direção de seus bairros, estradas municipais ou vicinais, distritos, entradas da cidade, saídas para rodovias, indicação dos principais pontos e instituições de prestação de serviços públicos e com placas denominativas afixadas nas esquinas das suas ruas, estará favorecendo a todos: moradores e visitantes.
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