A falta de chuva dos últimos anos no semiárido nordestino prejudicou agricultores e pecuaristas, que viram muitas cabeças de gado morrer e plantações não saírem do chão. Os apicultores de Moreilândia, no Sertão pernambucano, acostumados aos bons tempos de mel abundante, também tiveram queda na produção causada pela estiagem. Se em 2010 foram fabricadas 60 toneladas de mel, exportados para Ceará e Piauí para seguir até a Alemanha e os Estados Unidos, a produção não passou das quatro toneladas entre 2011 e 2012. Apicultores estimam que a perda das colméias ficou entre 70 e 80%.

apicultura2

Para driblar a perda de cerca de 3 mil enxames de abelha por causa da seca, os 41 criadores de abelha da Associação dos Apicultores de Moreilândia tentam atrair os insetos com alimentos como soja, trigo e milho, que não foram suficientes. Com esses alimentos, eles conseguem apenas manter as colmeias que sobraram nos criadouros. De acordo com o presidente da Associação, José Luís Peixoto, só mesmo a normalidade das chuvas para trazer a produção de volta ao ápice. “No momento, só [se tivermos] muito empenho e a normalidade das chuvas. A maior expectativa que a gente tem é com os futuros invernos”, afirma o presidente.

No total, mais de dez milhões de brasileiros foram atingidos direta ou indiretamente pela estiagem e 126 municípios de Pernambuco decretaram estado de emergência. A uma semana do fim do inverno no Sertão, os dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) mostram que choveu pouco mais de 25% do previsto para a região. De acordo com Apac, a média anual de chuvas nos últimos 30 anos no Sertão é de 643 milímetros. Em 2012, choveu apenas 240 milímetros, praticamente um terço do ano anterior. Este ano, até agora, choveu 172,5 milímetros.

04-15-PROCESSAMENTOPara os técnicos, os próximos oito meses, até o final deste ano, vão seguir a regra e deixar o Sertão ainda com pouca chuva. A esperança, no entanto, está reservada para o Agreste. “O período chuvoso do Agreste começa agora. A expectativa é que comece a haver uma normalização a partir de junho, com a entrada dos sistemas de leste, que trazem chuvas do Litoral e atingem o Agreste”, explica o diretor-presidente da Apac, Marcelo Asfora. As medições da Agência são feitas por equipamentos espalhados em todo o estado.

apicultura1

A atual situação das chuvas reflete nas produções e na economia do estado. Segundo o secretário de Recursos Hídricos de Pernambuco, José Almir Cirilo, estão sendo tomadas diversas medidas para conviver com a seca e minimizar o efeito da estiagem para a população. “Antes de trabalhar com ações emergenciais, o estado começou uma estruturação lá atrás, em 2007”, conta Cirilo. “Hoje o Sertão é abastecido fundamentalmente pelo Rio São Francisco e estamos com três frentes de trabalho, com implantação de sistemas de dessalinização de água”, completa o secretário. No caso da perda de rebanho, no entanto, a questão fica mais grave porque os animais e as plantas dependem diretamente das chuvas. “Essa fase é mais crítica, é onde sentimos mais o impacto da seca hoje em dia. A agricultura e a pecuária realmente dependem muito da precipitação, mas o trabalho que cabe à Secretaria de Recursos Hídricos é atender as pessoas. Nesse sentido, estamos trabalhando para levar a água à população difusa”, esclarece o secretário.

Com informações do G1.

Deixe um comentário

O que você achou disto?

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: