EM DEFESA DO JUMENTO

Em meio aos produtos brasileiros exportados para a China, o novo objeto de desejo é o popular jegue nordestino. Há cerca de um mês, um acordo entre os dois países liberou o intercâmbio de jumentos – também conhecidos como jegues ou asnos, utilizados na indústria chinesa de alimentos e cosméticos.
Os chineses pretendem importar 300 mil jumentos por ano do Nordeste, onde o animal é encontrado em abundância. Com as facilidades de financiamento, houve um crescimento muito grande do uso de motos para o transporte local e os jegues estão perdendo espaço no interior do Nordeste.
A China abate 1,5 milhão de burros ao ano. O processo envolve tecnologia de ponta, com melhoria genética, produção de alimentos específicos e assistência técnica.

* * *

NOSSA OPINIÃO

Em 1984 uma industria de charque de Belo Jardim-PE andou massacrando o nosso gangão e transformando milhares deles em charque para exportação. Era um absurdo a maneira desumana como a coisa era feita. Uma lei determinava que apenas animais velhos ou aleijados deveriam ser levados para este fim. Então, proprietários desalmados e os próprios motoristas e ajudantes das carretas que transportavam os animais se encarregavam de ‘aleijar’ os bichinhos atropelando-os na estrada ou quebrando suas pernas a pauladas. Agora que a motocicleta domina o sertão, a água encanada e o fogão a gás chegaram em todas as residências, o jumento, depois de 400 anos de contribuição ao desenvolvimento do Nordeste virou ‘persona non-grata’. Em 1984, em parceria com o poeta Gonzaga Vieira, eu produzi um folheto (ainda inédito) intitulado “O massacre do jumento nordestino”, que dizia mais ou menos assim:

O jumento nosso irmão
Cantado em prosa e verso
Que um dia transportou
O Autor do Universo
Vive hoje maltratado
Sendo até eliminado
Num atentado perverso.

Nos circos ou zoológicos
É comida de leão
Repasto de outras feras
É o nosso pobre irmão
Há tempos Luiz Gonzaga
Denunciava esta saga
Em inspirada canção.

Na fuga para o Egito
Jesus, José e Maria
Optaram pelo jegue
Por ser boa montaria
E a Família Sagrada
Viu-se assim transportada
Com conforto (sic) e garantia.

(…)

ATENÇÃO POETAS DE PLANTÃO. FAÇAM SEUS COMENTÁRIOS!!! VAMOS NOS MOBILIZAR EM DEFESA DO “NOSSO IRMÃO”. FAÇAMOS UMA CARTA EM VERSOS À PRESIDENTE DILMA PARA IMPEDIR ESSE ABSURDO. DUVIDO QUE LULA PERMITISSE TAL ABERRAÇÃO!!!

AS PRIMEIRAS CASAS DE ARARIINA

AS PRIMEIRAS CASAS…
Literatura de Cordel

Sobre as primeiras casas
Começo agora a citar:
A de Dona Joaninha,
A de Alexandre Alencar
Dona Sinhá, sua viúva
Eram no mesmo lugar.

A de Sizenando, ao lado
Do doce lar de Seu Dino,
A casa de Nilo Arraes
Foi de Antônio Argentino,
Que ajudou a povoar
A vila com muito tino.

Quase todas essas casas
Ficavam na rua atual
Joaquim José Modesto,
E uma outra no local
Da antiga Fábrica Oriente,
Um ponto comercial.

Nela, por muitos anos
Luiz Barbeiro morou,
A casa do Coronel
Pedro Cícero transformou
No local, à Igreja Nova
Que o povo edificou.

Na atual José Barreto
De Souza Sombra, ficava
A casa de Miguel Coelho,
João Pedro lá estava
Onde hoje é A Cearense,
Com sua família morava.

Joana Lavor possuía
Duas casas nessa rua
Manoel Mestre admirava
Do seu lar a noite, a lua
João Rodrigues Nogueira
Dizia: minha casa é sua,

Casa de Galdino Pires,
E também a de Roldão
A de Dona Mariquinha
E a de Antônio Paixão
Antônio Pires construiu
Em alvenaria um casarão.

Na Coronel Pedro Cícero
Só Três casas existiam
A do próprio Coronel,
Lá várias pessoas iam
A de Seu Né e a de Honorato
Onde encontros aconteciam.

Na rua Joaquim Alexandre
Arraes, que é bem central,
Ficavam algumas casas
Cada uma com quintal,
Duas de Antônio da Penha
Que era um cara legal.

Ângelo Dias era dono
De duas casas no endereço,
Idalina de Penha tinha,
Uma, mas sem adereço
E a de Galdino Caboclo,
Que valia um bom preço.

Pelo Senhor do Sauhén
Essa casa foi comprada,
Na Praça Frei Ibiapina
Era o local da morada
De Seu Joaquim Menino
Atrás da Igreja tombada.

A casa de Seu Arraes
Era o mesmo local
Junto a de Raimundinha,
Sua vizinha lateral,
Já a de Manoel Antônio
Ficava na Dom Vital.

Onde fica a Cooperativa
Era a casa de Trajano,
Local da antiga Cadeia
Não lembro qual era o ano
Vicente Menino fez
Sua casa, teve plano.

Além das casas citadas,
Uma chamava atenção,
Era a Casa da Feira
Ou um enorme Galpão,
Construído em frente à igreja,
Ao redor movimentação.

Esse espaço também era
Chamado de O Mercado,
Bodegas, cafés e lojas
Instaladas bem ao lado,
Era o Centro Comercial
De São Gonçalo instalado.

Trechos do livro Inédito ARARIPINA EM CORDEL
De: Cacá Lopes

SINTOMAS DE POBREZA

CORDEL: “ SINTOMAS DE POBREZA”
Autor: Cacá Lopes
Literatura de Cordel

Ri é o melhor remédio
Tristeza não leva a nada
A alegria faz bem
Tá no rosto da moçada
Pois se a vida é dura
O negócio é dar risada.

Por isso escolhi o tema
Os sintomas de pobreza
O cordel vai esclarecer
Essas frases com clareza
Na cultura popular
Que é nossa maior riqueza.

É sintoma de pobreza
Tudo o que eu vou citar:
Colocar bombril na antena
Da TV pra melhorar
A imagem, ou pedir
Pra alguém ir balançar.

Usar saco de arroz
Tio João pra encapar
Aquele livro do filho
Material escolar,
E com um vale transporte
Um churrasquinho comprar.

Balançar lâmpada queimada
Pra ver se volta acender
Botar acetona em esmalte
Só pra ver ele render
Por dedo em danoninho
E inda por cima lamber.

Não tirar plástico dos bancos
Ao comprar um carro zero
Parar um amigo na rua
Só para levar um lero
Usar ônibus clandestino
Esse sintoma não quero.

Ir a festa com camisa
De time de futebol
Usar embaixo da cama
Um vaso de urinol
Lavar fralda descartável
Usando o pinho sol.

Tomar cerveja em casa
Em copos de requeijão,
Xerocar foto de amigo
E usar de recordação
Lamber ponta de borracha
Pra apagar um borrão.

É sintoma de pobreza
Ter nome cheio de cá (k)
Letras duplas: w, y
E também em letra agá (h)
Usar caco de tijolo
Pra escorar o sofá.

Usar resto de sabão
Pra tapar o vazamento
Do bujão de gás, na certa
Não lhe trás constrangimento,
Enfeitar a estante com
Lembranças de casamento.

Aguarde breve lançamento do Cordel completo “SINTOMAS DE POBREZA”

Pregar um monte de treco
Na porta de geladeira
Ouvir pagode bem alto
Acordando a rua inteira
Fazer compra de frutas
Mas só no final da feira.

Queimar cartela de ovo
Para as moscas espantar
Arrancar planta da praça
Pra em casa replantar
Acordar cedo aos domingos
Só pra seu carro lavar.

Tem uma atriz de novela
Que é linda feito Eva
Vive falando em cena
Que ser pobre é a treva
Tem sintoma de pobreza
Quem esse bordão eleva.

CORDEL: “ SINTOMAS DE POBREZA”
Autor: Cacá Lopes

Ri é o melhor remédio
Tristeza não leva a nada
A alegria faz bem
Tá no rosto da moçada
Pois se a vida é dura
O negócio é dar risada.

Por isso escolhi o tema
Os sintomas de pobreza
O cordel vai esclarecer
Essas frases com clareza
Na cultura popular
Que é nossa maior riqueza.

É sintoma de pobreza
Tudo o que eu vou citar:
Colocar bombril na antena
Da TV pra melhorar
A imagem, ou pedir
Pra alguém ir balançar.

Usar saco de arroz
Tio João pra encapar
Aquele livro do filho
Material escolar,
E com um vale transporte
Um churrasquinho comprar.

Balançar lâmpada queimada
Pra ver se volta acender
Botar acetona em esmalte
Só pra ver ele render
Por dedo em danoninho
E inda por cima lamber.

Não tirar plástico dos bancos
Ao comprar um carro zero
Parar um amigo na rua
Só para levar um lero
Usar ônibus clandestino
Esse sintoma não quero.

Ir a festa com camisa
De time de futebol
Usar embaixo da cama
Um vaso de urinol
Lavar fralda descartável
Usando o pinho sol.

Tomar cerveja em casa
Em copos de requeijão,
Xerocar foto de amigo
E usar de recordação
Lamber ponta de borracha
Pra apagar um borrão.

É sintoma de pobreza
Ter nome cheio de cá (k)
Letras duplas: w, y
E também em letra agá (h)
Usar caco de tijolo
Pra escorar o sofá.

Usar resto de sabão
Pra tapar o vazamento
Do bujão de gás, na certa
Não lhe trás constrangimento,
Enfeitar a estante com
Lembranças de casamento.

Levar tapewere em festa
De criança pra trazer
Um pedacinho do bolo
Pra noutro dia comer
É sintoma de pobreza
Que todo mundo vai ver.

Pregar um monte de treco
Na porta de geladeira
Ouvir pagode bem alto
Acordando a rua inteira
Fazer compra de frutas
Mas só no final da feira.

Queimar cartela de ovo
Para as moscas espantar
Arrancar planta da praça
Pra em casa replantar
Acordar cedo aos domingos
Só pra seu carro lavar.

Tem uma atriz de novela
Que é linda feito Eva
Vive falando em cena
Que ser pobre é a treva
Tem sintoma de pobreza
Quem esse bordão eleva.

AS PARTEIRAS – Dia das mães

Nossa homenagem as Mães Nordestinas, através das tradicionais PARTEIRAS, do Sertão.

Literatura de Cordel – Por CACÁ LOPES
AS PARTEIRAS…

Quando uma criança nascia
Lá pras bandas do Sertão
Não havia assistência
De um médico de plantão
A não ser de uma Parteira
No parto, na direção.
Vinha a cavalo ou a pé
De noite e também de dia
Não cobrava um centavo
Pelos partos que fazia
Pais, chamava; Comadre
Depois que o bebê nascia.

Parteira, uma criatura
Que merece ter valor
Ela é quem traz a vida
Deus é o seu protetor
Filhos, a chama de mãe
Tomam bênção com amor.

Tinha Mãe Maria de Barros,
Mãe Venâncio, da Lagoinha,
Mãe Rita, do São Francisco,
Mãe Fátima, Mãe Mariquinha,
Mãe Leocádia, do Inácio,
E também Mãe Sá Doninha.

Mãe Aninha de Enoque,
Lá no Sítio Olaria,
Mãe Cecília, do Sauhén
A mulherada atendia,
Barro Vermelho: Ursulina
E Maria de Horácio ia.