Cacá Lopes lança livro sobre Luiz Gonzaga

Um século de Gonzagão

Muitos livros já foram escritos sobre Luiz Gonzaga. Na literatura de cordel, então, é impossível precisar a quantidade de folhetos que enfocam o Rei do Baião. É a personalidade musical mais biografada, ao lado de Roberto Carlos e Raul Seixas. Antecipando as comemorações do centenário de nascimento deste grande artista pernambucano, a Ensinamento Editora, de Brasília-DF, acaba de lançar Vida e Obra de Gonzagão, assinado por Cacá Lopes, que passou quase uma década gerando as quase 400 estrofes escritas em seis versos. Desde o nascimento na fazenda Caiçara, município de Exu, no sertão de Pernambuco, até a morte no Recife, passando pelas influências de dezenas de artistas brasileiros e homenagens póstumas, a impressionante trajetória do Rei do Baião ganha seu mais completo registro em cordel.

A responsabilidade de Cacá Lopes é grande, portanto, é enorme. E ele não se fez de rogado. Muitas são as estrofes dignas de nota, mas esta, que trata do batismo do pequeno Luiz, chama a
atenção pela palavra pagão, comprobatória do envolvimento do autor com o tema:

Os padrinhos do menino
Também são da região,
O Sr. João Moreira
E Dona Neném, que não
Mediram esforços, Luiz
Deixava de ser pagão.

Pagão é o menino não batizado, segundo a doutrina católica. Outro costume, herdado de Portugal, o de batizar a pessoa com o nome o Sato festejado no dia do nascimento, não foi esquecido por Cacá Lopes:

O nome Luiz Gonzaga
Do Nascimento foi dado,
Na igreja de Exu
O bebê foi batizado
Dia 5 de janeiro
Gonzaga foi consagrado.

O Nascimento, sugestão do padre José Fernandes, deve-se ao fato de o menino ter nascido em dezembro, mês do Natal. O Luiz é uma homenagem à Santa Luzia, festejada a 13 de dezembro, data em que Gonzaga veio ao mundo.

Sobre o Autor:
José Edivaldo Lopes, em arte Cacá Lopes, nasceu 24 dia agosto de 1962, no sitio lagoa da onça, há 14 km de Araripina-PE, no sopé da serra do Araripe. Iniciou sua trajetória artística na Rádio Grande Serra AM em sua terra natal, quando lançou seu 1º disco. Radicado em São Paulo desde 1984, mantém uma carreira consolidada como cantor, compositor e instrumentista, com 6 CDs lançados e várias coletâneas. Como cordelista, é autor de vários folhetos de poesia popular(Luzeiro editora) e adaptou para o cordel o clássico infantil Cinderela, de Charles Perrault.(Ed. Claridade) Percorre escolas e universidades há 18 anos com o espetáculo Música e Cordel nas Escolas, assistido por aproximadamente um milhão de alunos e educadores da rede pública municipal e estadual de São Paulo. É também um dos integrantes do movimento Caravana do Cordel.

Ficha Técnica:

Vida e Obra de Gonzagão – O mais completo cordel ilustrado sobre Luiz Gonzaga
Autor: Cacá Lopes
Editora: Ensinamento
Prefácio: Marco Haurélio
Texto: Assis Ângelo
Capa: Valdério Costa
Ilustrações: Maércio Lopes/Valdério Costa
Nº de páginas: 191
ISBN: 9788562410932
Preço: R$ 32,00

MORRE CHIQUINHA GONZAGA, IRMÃ DO REI DO BAIÃO

Faleceu, às 5h de ontem, a sanfoneira, cantora e compositora Francisca Januária dos Santos, 86 anos, a Chiquinha Gonzaga, irmã do Rei do Baião Luiz Gonzaga. Chiquinha era a última dos nove irmãos de Gonzagão ainda viva. ´Não temos mais filhos de Santana e Januário vivos`, resume Joquinha Gonzaga, sobrinho dos dois músicos, que também carrega o legado da sanfona na família.

Chiquinha Gonzaga sofria de Alzheimer e foi internada com quadro de pneumonia Foto: Julio Jacobina/DP Nos últimos anos, Chiquinha vinha sofrendo de Alzheimer. ´A situação dela ia piorando a cada dia. Ia de casa para o hospital, do hospital para casa`, explica Joquinha. Na noite de anteontem, passou mal e foi socorrida para o hospital com quadro de pneumonia e infecção urinária. ´Infelizmente, ela não resistiu`, disse Joquinha, comovido.

A história de Chiquinha, mesmo à sombra do irmão, carrega em si muita autenticidade. Ela subiu num palco pela primeira vez aos 41 anos, mas já tocava sanfona desde pequena, escondida dos outros. Na história da música brasileira, foi a primeiramulher a tocar oito-baixos profissionalmente.

Conseguiu reconhecimento no seu estilo, mesmo sem o incentivo do irmão. Em 1952, apresentou-se com a família no espetáculo Os sete Gonzagas, e, em 2009, numa entrevista concedida ao Diario, revelou que Luiz não aceitou a proposta de continuar com o show e os mandou que ´se virassem`. E se virou bem. Na sua trajetória, conta, inclusive, com disco produzido por Gilberto Gil, o Pronde tu vai, Luiz?.

A família prestará homenagem à artista durante o velório. A cerimônia de sepultamento será realizada no cemitério Tanque do Anil, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde está localizado o mausoléu da família.

“Não temos mais filhos de Santana e Januário vivos” Joquinha Gonzaga, sobrinho e herdeiro musical de Chiquinha

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Dá pra ver até os grãos de areia

Música

Silencia a sanfona de Chiquinha

Patio de São Pedro // Cordeis portugueses

Dona Carolina // Samba-rock na Zona Sul

Documentário // Delfim Amorim na universidade

João Alberto

Solista canadense no CPM

Cinema

Televisão

Desenhos para adultos

BBB11 // Jaqueline fora do jogo

Faleceu, às 5h de ontem, a sanfoneira, cantora e compositora Francisca Januária dos Santos, 86 anos, a Chiquinha Gonzaga, irmã do Rei do Baião Luiz Gonzaga. Chiquinha era a última dos nove irmãos de Gonzagão ainda viva. ´Não temos mais filhos de Santana e Januário vivos`, resume Joquinha Gonzaga, sobrinho dos dois músicos, que também carrega o legado da sanfona na família.

Chiquinha Gonzaga sofria de Alzheimer e foi internada com quadro de pneumonia Foto: Julio Jacobina/DP Nos últimos anos, Chiquinha vinha sofrendo de Alzheimer. ´A situação dela ia piorando a cada dia. Ia de casa para o hospital, do hospital para casa`, explica Joquinha. Na noite de anteontem, passou mal e foi socorrida para o hospital com quadro de pneumonia e infecção urinária. ´Infelizmente, ela não resistiu`, disse Joquinha, comovido.

A história de Chiquinha, mesmo à sombra do irmão, carrega em si muita autenticidade. Ela subiu num palco pela primeira vez aos 41 anos, mas já tocava sanfona desde pequena, escondida dos outros. Na história da música brasileira, foi a primeiramulher a tocar oito-baixos profissionalmente.

Conseguiu reconhecimento no seu estilo, mesmo sem o incentivo do irmão. Em 1952, apresentou-se com a família no espetáculo Os sete Gonzagas, e, em 2009, numa entrevista concedida ao Diario, revelou que Luiz não aceitou a proposta de continuar com o show e os mandou que ´se virassem`. E se virou bem. Na sua trajetória, conta, inclusive, com disco produzido por Gilberto Gil, o Pronde tu vai, Luiz?.

A família prestará homenagem à artista durante o velório. A cerimônia de sepultamento será realizada no cemitério Tanque do Anil, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde está localizado o mausoléu da família.

“Não temos mais filhos de Santana e Januário vivos” Joquinha Gonzaga, sobrinho e herdeiro musical de Chiquinha

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Silencia a sanfona de Chiquinha

Patio de São Pedro // Cordeis portugueses

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João Alberto

Solista canadense no CPM

Cinema

Televisão

Desenhos para adultos

BBB11 // Jaqueline fora do jogo

Três dias homenageando Gonzagão

No coração de São Paulo, uma justa homenagem àquele que cantou o coração do Nordeste.

Ele morreu a quase vinte anos, em 02 de Agosto de 1989 em Recife. Enquanto vivo, cantou de forma simples e marcante a vida do Nordestino, suas aventuras e tristezas, a migração para o Sul do Brasil e o retorno feliz ao Nordeste. Eternizou o forró como ritmo original do Nordeste e levou para o mundo o som único da sanfona.

Luiz Gonzaga, pernambucano, nascido em Exú em 13 de Dezembro de 1912 na fazenda Caiçara, eleito Pernambucano do Século XX e símbolo maior do Nordeste, recebe desde o dia 17/07/2009 (sexta-feira) uma justa homenagem do Governo do Estado de São Paulo por sua indiscutível contribuição à música brasileira. Foram três dias de muita festa no Vale do Anhangabaú, região Central da cidade de São Paulo, que recebeu artistas renomados da música brasileira e seguidores de Gonzaga. As principais atrações foram a Paraibana, Elba Ramalho, o Pernambucano e herdeiro de Luiz, Dominguinhos e o bicho maluco beleza de São Bento do Una, Alceu Valença. Passaram ainda pelos dois palcos montados no coração de São Paulo, a banda Cordel do Fogo Encantado, a dupla Cajú e Castanha, Oswaldinho do Acordeon, a banda de Pífanos de Caruaru e como grande atração, a família Gonzaga (com Chiquinha Gonzaga – irmã de Luiz- Joquinha e Sérgio Gonzaga).

O evento traz a figura de Gonzagão como símbolo do povo Nordestino, que desde o processo imigratório para o Sudeste do País, é responsável pela construção e manutenção do maior pólo econômico do Brasil.

Eu estive lá em dois dias da festa (sábado e domingo) e acompanhei de perto a alegria das mais de 10 mil pessoas que passaram pelo local do evento ao ver as músicas e histórias de Gonzagão sendo cantadas e contadas por artistas que se inspiraram na simplicidade e humildade das canções de Luiz.

Para Carlos Roberto de Freitas Pereira, jornalista e presidente da ANESP – Associação dos Nordestinos do Estado de São Paulo, um evento desse tamanho, idealizado e organizado pela Secretária de Cultura do Estado de São Paulo é o maior reconhecimento que o Nordeste está presente de forma decisiva no Brasil. “Quando vejo o Governo do Estado pensando em homenagear o maior ídolo do Nordeste, só posso crer que estamos muito bem representados”, afirma Carlos. Ele me mostrou um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas que indica que 82% da população da cidade de São Paulo têm raiz nordestina (filhos ou netos). Na cidade de Guarulhos esse índice chega a 90%. É a prova maior que a cultura e os traços nordestinos estão enraizados na região Sudeste.

Com todas as pessoas que conversei nos dois dias o tema sempre era a felicidade de ver um evento criado especialmente para o povo nordestino. Em todas as conversas estava presente o sonho de um dia voltar ao Nordeste, assim como fez o Rei do Baião no final de sua vida. Era visível o orgulho das pessoas que lá estavam vestindo roupas tradicionais do Nordeste, camisas com a bandeira de seus estados (e Pernambuco era ampla maioria), camisas dos clubes de futebol do Nordeste e sempre o acolhedor sorriso do Nordestino seguido da pergunta tradicional: Tu é de onde?

Ao final do evento fica a certeza absoluta de que o antigo preconceito contra o povo Nordestino se dissipa cada vez mais rápido com a inserção da região Nordeste no cenário nacional e o seu tardio reconhecimento como uma região sócio e economicamente progressista.

Jorge Carvalho Possetti é Jornalista.

SÃO PAULO PREPARA HOMENAGEM A GONZAGÃO

Programação

Na sexta-feira, dia 17, a cantora Elba Ramalho inicia a programação do ‘Homenagem a Luiz Gonzaga’, às 18h, com o show ‘Balaio de Elba’, que reúne baiões e xotes de compositores nordestinos pós-Luiz Gonzaga. A Banda Jazz Sinfônica sobe ao palco, às 21h, com o ‘Concerto Nordestino’, que trará no repertório ‘Estrepolia Elétrica’ (Moraes Moreira), ‘Frevo de Orfeu’ (Antonio Carlos Jobim), ‘Asa Branca’ (Luiz Gonzaga) e outras.

As atrações seguem com a apresentação do grupo Mais Maria do que Zé, às 23h, que traz, em seu repertório, além músicas próprias, obras de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Gilberto Gil, Alceu Valença e grandes ícones do forró, xote, baião, gafieira, chorinho e samba cadenciado.

Na madrugada do sábado, 18, os pernambucanos do Cordel do Fogo Encantado sobem ao palco, à 0h30, seguidos pelo Trio Marrom, às 2h, com repertório formado de grandes sucessos do chamado forró “pé de serra”.

Sábado de manhã, a partir das 10h, o público poderá se divertir com o espetáculo cômico ‘O Salto Mortal’, da dupla de palhaços do Circo Nosotros. Oswaldinho do Acordeon apresenta-se às 14h, e a dupla de repentistas Caju e Castanha, às 18h. À noite, às 23h, a Orquestra Popular do Recife interpreta gêneros tradicionais nordestinos como maracatu, coco, ciranda, reisado, caboclinho e frevo.

Dominguinhos inicia a madrugada do domingo, à 0h, seguido da apresentação do DJ Bruno Pedrosa, à 01h, e do DJ Tudo, às 02h30. Às 10h, a orquestra de sanfonas do grupo Acordeônicos contará com a participação de Toninho Ferragutti.

À tarde, a Banda de Pífanos de Caruaru apresenta o show ‘Forró Quentão 2009’, às 13h. Antonio Nóbrega dá sequência às atrações quando sobe ao palco, às 14h, para cantar, tocar, dançar e contar histórias para a plateia.

O Trio Virgulino, responsável pelo resgate do forró pé de serra, apresenta-se às 16h, antecedendo o show de encerramento com Alceu Valença, às 18h, que trará no repertório, clássicos como ‘Coração Bobo’, ‘Pelas Ruas que Andei’ e ‘Embolada do Tempo’.

Confira a programação completa do Homenagem a Luiz Gonzaga:
www.cultura.sp.gov.br