BODE DO ARARIPE: RAÇA E DETERMINAÇÃO!

Superação. Esta é a palavra mais adequada para simbolizar o feito do Araripina Futebol Clube de chegar à elite do futebol pernambucano. Não foi nada fácil. Entre a ameaça de desclassificação em alguns momentos do campeonato até conseguir o grande feito, o Bode do Araripe teve que ser aplicado e raçudo. Foi esse espírito de luta que fez o time superar os limites e vencer.

Na partida de volta, contra o Afogadense, depois de ter empatado na casa do adversário, toda torcida do Araripe esperava uma grande vitória no Chapadão. Ao contrário, o que se viu foi um adversário ousado e encostando o Bode na parede, principalmente no primeiro tempo do jogo. Isso mesmo! A expressão correta. Acuado em seu campo, o Araripina Futebol Clube viu o adversário fazer um gol, perder várias chances de ampliar o marcador e terminar o primeiro tempo em desvantagem, inclusive o Araripina perdendo um pênalti através do jogador Lulinha.

Mas, no segundo tempo ,a estória da partida foi outra. Determinado, raçudo, superando-se (os jogadores comendo grama, como se fala na gíria futebolística), o Bode veio valente, empatou a partida e teve até chances de virar o marcador. Porém, o que valeu mesmo foi a subida para a Primeira Divisão do Pernambucano.

Nota merecedora de destaque, além da raça demonstrada no segundo tempo pelo valente Bode do Araripe, a presença maçiça da torcida da Região do Araripe (segundo comentários, mais de oito mil pessoas no Chapadão). Encontrei nas arquibancadas muitos conhecidos de Trindade, Ouricuri, Ipubi, Bodocó, os quais marcaram presença junto com a torcida de Araripina e elogiaram o estádio, sua estrutura e gramado, para muitos o melhor de Pernambuco.

Passados os momentos de euforia com o grande feito, porém, é hora de arregaçar as mangas reforçando o time para o profissional, porque a Primeira Divisão não é a Segunda, além de reformar o estádio às exigências da Federação Pernambucana de Futebol. É preciso colocar refletores no estádio para jogos noturnos, pelo menos com quatro torres, terminar os lances de arquibancada nos barrancos que existem no campo, melhorar a infraestrutura de banheiros e sanitários para o público, melhorar as cabines de rádio e televisão para os profissionais de Imprensa, inclusive proibindo a entrada de pessoas não autorizadas nos locais destinados à cobertura jornalística, solicitando as credenciais à ACDP-Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco (a qual fui associado por mais de cinco anos quando fiz cobertura jornalística diária do Náutico, Santa Cruz e Sport, como repórter esportivo e editor de esportes na Imprensa do Recife, na década de 80 do século passado).

O gramado não precisa de mais nada: está tinindo de bonito. Mas, como disse, a Primeira Divisão é outra cousa e o estádio precisa se adequar para os jogos da elite, pois, caso contrário, nesses quatro meses que antecedem o início do Campeonato Pernambucano de Futebol de 2010 nada for feito, a Comissão de Inspeção da FPF poderá (não vai reprovar) vetar o mando de jogos do Bode para o Chapadão, deslocando as partidas do Araripina Futebol Clube para o Cornélio de Barros, em Salgueiro, o que seria uma grande frustração para a torcida da Região do Araripe, acostumada com a domingueira festiva de futebol na nossa cidade.

SANDRO MORAES
DRT/PE 1.504