Administração Pública Brasileira desconhece a lei e não respeita direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais

O Brasil é um dos países do Mundo que tem mais leis sociais. A própria Constituição Federal é um exemplo de uma Carta Magna entre as nações em desenvolvimento e desenvolvidas que garante direitos sociais a todo tipo de setor da sociedade. Mas como lei no Brasil é sempre mais uma, muitos juristas a consideram uma carta de boas intenções a ser colocada em prática. Nem mesmo os políticos que elaboram as leis as conhecem, quanto mais a população. No que se refere à lei da acessibilidade a legislação federal e pernambucana prevêem a construção de rampas em todas as calçadas e o seu nivelamento. Mas, na prática a realidade é outra. Quem é deficiente físico, auditivo, cadeirante nesse País sofre no dia a dia para se locomover, mesmo que possua engenhocas modernas como carrinhos a gasolina para cadeirantes mais abastados. Descer uma calçada, subir ou mesmo se locomover é um martírio para essas pessoas. Leia a matéria e a assista ao vídeo didático que a acompanha para você entender a questão.

SANDRO MORAES
ADVOGADO

MANIFESTO DO CORDEL – NOS DEZ PÉS DO CAVALO PAULISTANO

MANISFESTO DO CORDEL
NOS DEZ PÉS DO CAVALO PAULISTANO
Por Nando Poeta
http://tributoaocordel.blogspot.com/2011/06/manisfesto-do-cordel-nos-dez-pes-do.html

Quem plantou a semente do cordel?
Na cidade que acolhe todo mundo
Em São Paulo de um coração profundo
Que abrigou o poeta menestrel
Num recanto que tem sabor de mel
Floresceu a poesia ano a ano
Que edifica o viver do ser humano
Com a coragem e o vigor do retirante
Fez os versos brotarem num instante
Nos dez pés do cavalo paulistano.

É a grande cidade nordestina
Que abraçou a cultura do migrante
E com ela ficou irradiante
Descobriu que o poeta era uma mina
Uma fonte de água cristalina
Que seus versos envenenam o tirano
E alimentam seu povo soberano
Escrevendo a história em poesia
De conflito, de amor e harmonia
Nos dez pés do cavalo paulistano.

Nessa terra o poeta cordelista
Propagou sua arte em todo canto
De alegria, de luta e de pranto
No folheto a poesia romancista
Numa critica segura sempre a vista
Entoou na defesa de um plano
Dos humildes, que vive no engano
De um povo sofrido é o porta-voz
Dos que lutam pra derrotar algoz
Nos dez pés do cavalo paulistano.

O planeta aqui se concentrando
Em diversidade de culturas
Fazendo elevar-se nas alturas
Onde um mundo que foi se edificando
E a riqueza de um povo germinando
Seja Árabe, Espanhol e italiano
Japoneses, o chinês e o africano
Nessa Sampa que é comospolita
A nação nordestina vem na lista
Nos dez pés do cavalo paulistano.

O cordel no sudeste brasileiro
Sempre teve uma forte seleção
É São Paulo seu grande matulão
Do Antonio Teodoro, o garimpeiro
Do Amaro Quaresma, o folheiteiro
E de Flankim Machado, o baiano
Jotabarros que é pernambucano
Manuel de Almeida, o editor
Na Luzeiro o cordel é fina flor
Nos dez pés do cavalo paulistano.

Esse grande elenco fez a trilha
Espalhou na cidade a semente
Se plantou o cordel em cada mente
Que a estrela até hoje sempre brilha
Construindo mais essa maravilha
E no mundo literário é um vulcano
Tem a força bravia do oceano
O cordel faz em Sampa o movimento
Que propaga ligeiro como o vento
Nos dez pés do cavalo paulistano.

São Paulo hoje em dia é a arena
De uma turma que leva o cordel
Sem fronteira e da arte é fiel
Que entrou nesse mundo abrindo a cena
Florescendo de forma tão serena
De uma muda do chão paraibano
Hoje voa bem alto ganha, plano
E na casa da Semana da Arte
O cordel já é forte baluarte
Nos dez pés do cavalo paulistano.

Na cidade o poeta peregrina
Declamando as histórias de seu povo
Transformando o antigo em algo novo
Levantando esse mundo da ruína
Nos seus versos habita a proteína
Caravana do Cordel nesse mundano
É movimento que tem grande tutano
E em São Paulo esse time acende a chama
E o amante da arte nele aclama
Nos dez pés do cavalo paulistano.

LITERATURA DE CORDEL, LITERATURA BRASILEIRA

Literatura de Cordel, Literatura Brasileira
Por: Aderaldo Luciano

1. Uma literatura da terra

A Literatura de Cordel, vista muitas vezes, ou quase sempre, como arte de segunda categoria, pela sua origem sócio-racial, é fenômeno ímpar. Afirma Joseph M. Luyten:

Ao contrário de outros países, como México e Argentina, onde esse tipo de produção literária é normalmente aceita e incluída nos estudos oficiais de literatura – por isso poemas como “La cucaracha” são cantados no mundo inteiro e o herói de cordel argentino, Martin Fierro, se tornou símbolo da nacionalidade platina – as vertentes brasileiras passaram por um longo período de desconhecimento e desprezo, devido a problemas históricos locais, como a introdução tardia da Imprensa no Brasil (o último país das Américas a dispor de uma imprensa), e a excessiva imitação de modelos estrangeiros pela intelectualidade (Luyten apud Vicente, 2000, prefácio).

Acrescentamos à observação do Dr. Luyten o aspecto preconceituoso com que as elites acadêmicas brasileiras olharam para a produção poética popular. De fato, nossos compêndios e manuais de história da literatura brasileira, incluindo-se livros didáticos destinados ao ensino fundamental e médio, desviam-se da Literatura de Cordel como o diabo da cruz, utilizando o termo “popular”. Qualquer citação virá eivada de caráter exótico, nunca com apuro crítico. Como experiência, procuremos o verbete Literatura de Cordel na Enciclopédia de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Souza. Encontraremos menção a dois ou três títulos de ensaios sobre o tema, mas nada sobre ela mesma. O verbete veio na letra C, “Cordel, literatura de”. Esse verbete repete o Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, ao mesmo tempo em que a associa à memória dos cantadores e vates populares, seus transmissores orais. Para depois passar à classificação dos temas versados, citando Franklin Maxado:

… folhetos de época, de ocasião, históricos, didáticos ou educativos, biográficos, de propaganda política ou comercial, de louvor ou homenagem, de safadeza… (Cascudo, 2002: 527)

E são arrolados uma infinidade de temas. Chama-nos a atenção o fato primeiro de o verbete não vir na letra L de literatura, mostrando-se excludente. Por que apresentá-la como Cordel? Será porque não é aceita como literatura?

Quando situa a literatura de cordel como versão escrita da oralidade poética dos cantadores, é, no mínimo, omissa, a Enciclopédia, chegando ao risível. Ora, toda a literatura universal não é herança da oralidade? A escrita não é fruto secundário da linguagem? Por que, então, observar isso como característica da literatura de cordel?

E no que diz respeito ao tema: toda a literatura não trata dos mesmos temas? Para quê uma listagem de temas, se a produção literária é fruto da observação social e da vivência particular de cada autor? Para mostrar, exoticamente, que, apesar de o autor popular ser um homem simples, preocupou-se com temas os mais diversos, como se estivesse descobrindo o mundo e seus semelhantes, emergindo das trevas profundas da ignorância?
Todas as literaturas nacionais têm a sua formação no conjunto de lendas e histórias contadas pelo seu povo, repassadas oralmente. A literatura grega funda-se sobre as narrativas homéricas. A teoria e a crítica literária tiveram sua gênese com as normatizações apresentadas por Aristóteles sobre esse corpus. Tomando, ainda, a literatura grega como arrimo, seus temas não passaram pelos mesmos da literatura de cordel? Não houve uma poesia didática com Hesíodo? E romances de amor e aventura com Xenofonte de Éfeso e Aquiles Tácio?

(…)

Disponível na íntegra em: http://www.apropucsp.org.br/apropuc/index.php/revista-cultura-critica/31-edicao-no06/252-literatura-de-cordel-literatura-brasileira

CACÁ LOPES E CARAVANA DO CORDEL – NO DIA DO FOLCLORE

A Caravana do Cordel reúne o melhor da poesia popular de São Paulo. É um mundo de cordel para todo o mundo! É um projeto coletivo, construído por poetas populares nordestinos radicados em São Paulo, estreou com o pé direito. Em seus encontros apresenta uma série de atividades, todas elas voltadas para o fortalecimento e valorização da cultura nordestina. Haverá exposição e venda de cordéis, livros e CDs e uma justa homenagem a ícones nordestinos: Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Valle e Raul Seixas, na semana em que se completa 20 anos que o Maluco Beleza pegou o Trem (21/08/1989), Conheça o sítio do Raul Rock Club / Raul Seixas Oficial Fã-Clube, criado e dirigido por Sylvio Passos em 1981: www.raulseixas.org.
Convidados: Cacá Lopes, Cícero Pedro de Assis, Cleusa Santo, Costa Senna, Evânio Matos, Grupo Unirversos, João Gomes de Sá, Jocélio Amaro, Jùbilo Jacobino, Luiz Wilson, Marco Haurélio, Moreira de Acopiara, Nando Poeta, Ornela Jacobino, Sebastião Marinho, Toninho de Olinda, Pedro Monteiro, Varneci Nascimento. Contaremos com a participação especial de Rodrigues Camperom e do ator e músico pernambucano Samuel Luna que estará em São Paulo esta semana, apresentando o À Espera o Trem das 7 , no Teatro Comune, este espetáculo faz parte da celebração dos 20 anos sem Raúl Seixas (Saiba mais).
O Autor na Praça recebe a Caravana do Cordel Dia 22 de agosto, sábado, a partir das 14h. Espaço Plínio Marcos – Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto – Pinheiros. Informações: Edson Lima 3739 0208 / 9586 5577 [email protected] Realização: Edson Lima e AAPBC Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto. Apoio: Max Design, Jornal da Praça, TV da PRAÇA, Bar do Jeová, Pablo Orazi Webdesign, Restaurante Consulado Mineiro, Cantinho Português e Vozoteca LEK.
Trecho do Cordel A Invasão do Estrangeirismo de Cacá Lopes :
Operário, produtores / Publicitários, artistas / Alunos e professores / Grafiteiros, jornalistas / Um tema entra em ação: / Desnacionalização / o cordel Busca conquistas.
Mão descaracterize / Nossa língua portuguesa / Tão bonita e soberana / Cheia de encanto e beleza, / Invasão exagerada / De palavra estrangeirada / é enorme malvadeza.
Empresas, grifes, produtos, / Lojas e publicações / Nos condomínios de Luxo / Edifícios e mansões / Estrangeirismo é presente / Bem aí na sua frente / Ta na mídia, nas canções.

DIA DO CORDELISTA

Programação para o Dia do Cordelista
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Caravana do Cordel homenageia o Dia do Cordelista

Caravana do Cordel é um projeto coletivo, construído por poetas populares nordestinos radicados em São Paulo. O grupo, formado por poetas, artistas plásticos, músicos e pesquisadores, vem alcançando grande sucesso em suas reuniões mensais no Espaço Cineclubista da Rua Augusta e nos eventos realizados em São Paulo e no entorno da capital, mantendo viva a tradição itinerante da poesia popular.

No dia 19 de novembro, que marca o 144º aniversário de nascimento de Leandro Gomes de Barros, maior expoente do gênero, a Caravana do Cordel preparou várias atividades para homenagear o patriarca da poesia popular brasileira. Dentre as atividades, uma mesa redonda discute a atual realidade da literatura de cordel, as vitórias e os embates a serem travados num campo em que o preconceito e o desconhecimento ainda são enormes. Outras atividades mostrarão a riqueza temática da literatura de cordel, confundida por leigos com a poesia matuta, ramo distinto da poesia popular. Haverá, também, exposições de gravuras e a já tradicional feira de cordel apoiada pela Editora Luzeiro.

Programação
19h – Mesa redonda: Cordel: conquistas e desafios
Debatedores: Moreira de Acopiara e Marco Haurélio
20h – Palestra: Leandro Gomes de Barros: desbravador do Cordel, ministrada por Aderaldo Luciano, Doutor em Letras pela UFRJ.
21h – Sarau poético com membros e apoiadores da Caravana do Cordel
21:30 h – Apresentações musicais de Cacá Lopes e Costa Senna.

Serviço
O quê? Dia do Cordelista: homenagem a Leandro Gomes de Barros
Quando? Dia 19, às 19h
Onde? 282 – CEP: 01045-000 – São Paulo SP – Fone: 3350-6000
Entrada franca

Foto: João Gomes de Sá, Pedro Monteiro, Varneci Nascimento, Nando Poeta, Cacá Lopes, Marco Haurélio e Costa Senna.