UMA HOMENAGEM PÓSTUMA AO SENHOR TEOTHÔNIO PINTO

Nenhum País, região ou local, sobrevive sem a força, a garra e a determinação de um povo. O ser humano busca no seu interior, a coragem e o desejo para desbravar lugares desconhecidos. Ele se lança ao desafio para oferecer à sua comunidade uma condição de vida menos sofrida e de maiores oportunidades, criando assim, condições ideais que permitam às sociedades uma melhor qualidade de vida.

Fiquei sabendo recentemente do falecimento senhor Teothônio Alves Pinto. Ele foi um desses extraordinários pioneiros desbravadores do sertão do Araripe. Há registros nos anais da história de Araripina que contam com muita propriedade a trajetória desse ilustre pioneiro e descobridor do gesso no sertão do Araripe.

Nada mais justo e necessário fazermos uma homenagem póstuma a um cidadão que transformou a região do sertão do Araripe (antes fadada à fome e a miséria) numa região rica e promissora, com possibilidades de transformar positivamente a economia da região.

Em 14 de Novembro de 2009, o jornal “Diário de Pernambuco” publicou em caderno especial, uma excelente matéria que recebeu o título de:
O descobridor do gesso no Sertão do Araripe. Sem sombras de dúvidas, uma oportuna matéria que veio fazer justiça e o reconhecimento ao pioneirismo do senhor Teothônio Alves Pinto, ao desbravar o desconhecido Sertão do Araripe.

Transcrevo a seguir o teor da referida matéria:

Não é possível contar a história da Região do Araripe sem que se reporte a Theotônio Alves Pinto, um dos pioneiros na exploração de gipsita na região. A trajetória de vida dele confunde-se com a própria história do gesso. O espírito empreendedor já pulsava nele quando ainda era jovem, antes mesmo de se fixar pelas terras sertanejas.

O pai dele, Pedro Pinto Junior, era médico. Junto com os irmãos Nelson e Romeu, Theotônio enveredou pelo setor do comércio. Por volta dos anos 40, cada um com um caminhão partiam do Recife transportando os mais diversos tipos de mercadorias. Os irmãos saíam de cidade em cidade chegando até o Ceará, de onde trazia a rapadura que vendiam no sertão pernambucano.

Araripina, à época denominada de São Gonçalo, era um dos principais pontos de parada da viagem. Ali compravam a pele de boi, o mel e a cera de abelha que transportavam para Petrolina. De lá voltavam à capital, cumprindo um roteiro que durava, em média, 30 a 45 dias no total.

Numa das viagens, Theotônio Pinto comprou uma área de terra no alto da Serra do Araripe, mudando-se para Araripina em 1950, indo trabalhar no cultivo da mandioca e na produção de farinha. Mais tarde, investiu em outra área, a Fazenda Lagoa de Dentro, também no sertão, onde passou a praticar a agricultura de sequeiro e a investir no comércio.

Mudança total – As memórias estão bem nítidas na memória do ancião de 96 anos. “Eu vi que as formiguinhas, quando saíam do massapé, carregavam nas costas um pó branco. Nós não sabíamos, mas era o gesso”, recorda Pinto. Essa visão dessa cena despertou o interesse dele em investir o solo. Ao cavar uma cacimba encontrou uma enorme pedra. Ao enviar amostras para o Recife, descobriu se tratar de gipsita. A partir daquela descoberta, a Região do Araripe nunca mais seria a mesma.

“Naquela época, o gesso era quebrado de marreta, pelas mãos dos homens, calcinados em fornos de casa de farinha à lenha e carregado no lombo de mulas”, conta Theotônio Pinto. A gipsita era lavrada na mina da Fazenda Lagoa de Dentro. De lá saía o minério bruto que era enviado predominantemente para as indústrias de produção de cimento.

Nas décadas seguintes, Theotônio Alves Pinto dedicou a vida quase que completamente ao gesso. Plenamente lúcido, desfruta da velhice e aposentadoria na casa onde mora, no centro de Araripina, constantemente visitado por filhos e amigos.

Por tudo que aqui foi registrado e, como filho de Araripina que acredita no progresso da sua cidade e na bravura dos seus pioneiros, quero em nome da minha família, deixar os nossos sentimentos de dor e pesar à família do saudoso Teothônio Alves Pinto.

Que Deus o tenha no lugar reservado aos bravos e justos pioneiros.