OPERAÇÃO POLICIAL EM TRINDADE DESARTICULA TRÁFICO E PRENDE OITO PESSOAS COM MAIS DE 11KG DE COCAÍNA

drogas

Na madrugada da ultima quinta-feira (07/03), policiais civis da equipe Malhas da Lei e Reflorestar da 24º Delegacia Seccional de Araripina com apoio de policiais militares do GATI do 7º BPM, deflagraram a Operação Carnaval Sem Drogas, na cidade de Trindade. Na ação que desarticulou o tráfico que se preparava para abastecer o carnaval fora de época acontece nos próximos dias 09 e 10 de março, no município, justificando assim o nome da operação, foram presas oito pessoas.

De acordo com a delegada Seccional Katyanna Muniz, essa foi a maior apreensão de drogas de toda a região do Araripe até hoje, desarticulando uma quadrilha que comprava a droga na cidade de Petrolina e a distribuía entre traficantes menores na cidade de Trindade. Foram presos Josafá Leite Da Silva, conhecido por “Lero”, de 30 anos, motorista da Van que era responsável por trazer a droga de Petrolina para Trindade, Adriano Sobral Bezerra; de 26, Paulo Henrique Bernardo Bezerra, o “Paulinho”, de 19 anos, Carlos José Batista Granja, o. “Carlinhos”, e Cesar Augusto Da Silva, ambos com 21 anos, Emanuel Erlando Dos Santos, conhecido por Leo de 23, José Expedito Dos Santos, o. “Zé” de 35, e Jaqueline Oliveira De Lima de 27 anos.
Na ação os presos foram autuados pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo. A polícia apreendeu aproximadamente 11 kg de Cocaína, dois revólveres da marca Rossi calibre 38,  sendo um com numeração raspada, um revólver  calibre 32, um veículo de transporte de passageiros, tipo Van, e cerca de mil reais em dinheiro.
Os presos do sexo masculino estão sendo recolhidos na Cadeia Pública de Trindade e Jaqueline  Oliveira foi levada para a Colônia Penal Feminina de  Verdejante.
Fonte Bruno Morais.

“Vícios Elegantes e Deselegantes”*

O consumo de substancias psicoativas, ou “drogas” tem sido alvo de um extenso debate. Os discursos tendem a recair no âmbito do proibicionismo, da ilegalidade do consumo de algumas substâncias ou do incentivo ao uso de outras.  As práticas que legitimam ou não o uso de algumas “drogas”, possuem determinantes históricos e culturais, que respondendo aos interesses de determinados grupos em determinadas épocas, associaram algumas substancias à marginalidade, e outras não.

No Brasil, infelizmente, quanto mais o Estado vialibiza medidas que visam a repressão do consumo, mais é observado o aumento do tráfico de entorpecentes e as desastrosas conseqüências que esse tráfico produz: violência, mortes, desigualdades sociais, mais penitenciárias, mais consumo, mais custos aos cofres públicos.

É cada vez mais evidente um fracasso na posição ideológica que sustenta a chamada “Guerra as Drogas”, em função de que, dentre outros fatores,  nunca houve nenhuma civilização na história da humanidade que não tenha consumido algum tipo de substancia psicoativa*. Desse modo, a proibição do uso da substancia em si, não tem se mostrado o caminho mais eficaz. Nesse contexto,  a liberação irrestrita talvez também não seja a solução para se “acabar” com o consumo, justamente, por que a história da humanidade sempre foi atravessada por grupos que fazem uso de psicoativos (uso é diferente de abuso). Chama-se atenção para o fato de que enquanto substancias como a maconha, heroína, cocaína, são categorizadas como inapropriadas para o consumo, outras substancias como o tabaco (cigarro) e o álcool, mesmo diante de todas as advertências fornecidas pelo Ministério da Saúde quanto aos males que podem provocar, tem o seu consumo legalizado, sendo deixado a encargo do sujeito, a “opção” de escolher ou não pelo uso. O dia 31 de Maio foi tomado como dia de mobilização mundial para alerta aos possíveis malefícios decorrentes do uso do cigarro, bem como das prováveis conseqüências e dos impactos em termos de custos para o SUS para os tratamentos da saúde dos consumidores.

Convém refletir sobre quais interesses embasam a liberação de substancias potencialmente danosa a saúde dos indivíduos (cigarro e álcool) e proibição de outras substancias (maconha, etc) o que tem gerado graves impactos sócio-economicos em função do tráfico que reforça o consumo do “ilegal”. A violência, bem como a circulação de altos valores monetários só reforça esse círculo de um “vício deselegante”, enquanto a mídia, a indústria tabagista e do álcool, que respondem à filosofia neoliberal do capital de consumo, produz e incentiva o uso do cigarro e do álcool, como  um “vício elegante”.

 A presente discussão não objetiva condenar o proibicionismo e nem apoiar a legalização irrestrita. O objetivo é refletir sobre o fato de que uma possível estratégia seja não focar o olhar apenas para o consumo de um uma substancia em si e para as alterações dos estados de consciência que ela provoca, mas para necessidade de que se criem redes de diálogos, educação, informação e discussão acerca das variáveis que levam e mantém sujeitos consumindo certas substancias de forma abusiva, bem como das consequências que podem ser oriundas dessa prática. sexpromo Uma sociedade que reflita acerca dos prejuízos que o uso abusivo de certas substancias podem ocasionar, pode ser mais beneficiada do que uma sociedade que apenas reproduz o discurso de que “é proibido”, sem a consciência de que essa atitude não tem produzido os efeitos esperados.

 

*Referencias  Bibliográficas :

-ESCOTHADO, A. História Elementar das Drogas. Lisboa: Antígona, 2004.

-Lei 11.343/06 e os repetidos danos no proibicionismo. Drogas e Cultura: EDUFBA, 2008.