O FUTURO DO CORDEL É NA SALA DE AULA

Postado CACÁ LOPES

TEXTO DO POETA MARCO HAURÉLIO

A Literatura de Cordel, desde o século XIX, com Silvio Romero, vem chamando a atenção dos estudiosos. Infelizmente, com o tempo, os estudos sobre a poesia do povo foram sendo direcionados para áreas como o Folclore e a etnografia.

O insólito e o pitoresco foram valorizados e a contribuição dos novos poetas parecia relegada ao esquecimento. Contudo, um novo fenômeno estava surgindo: com a desagregação da família tradicional, por influxo de fatores múltiplos, a escola passou a ocupar mais tempo na vida das pessoas.

E o Cordel, como tradição móvel, foi paulatinamente sendo adotado nas salas de aula graças ao esforço conjunto de professores e poetas populares.

O Cordel, à semelhança do Cinema, aborda os mais variados temas distribuídos em gêneros os mais diversos. As boas histórias dramáticas arrancam lágrimas e soluços; as cômicas propiciam generosas risadas embaladas pelas travessuras de João Grilo, Cancão, Malazarte e outros anti-heróis.

Os valentões do Cordel nada ficam a dever aos durões do Cinema. Além das histórias de amor, que também na literatura popular, seguem embalando o sonho de muitas gerações.

O Cordel que chega às escolas é um cordel maduro que não foge a tradição nem faz vistas grossas aos grandes problemas atuais, como as guerras fratricidas e as várias faces do preconceito. O objetivo de Arievaldo Viana, no Ceará com o projeto ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA, e é chamar a atenção para algo que já está acontecendo em vários lugares deste país. Experiências fragmentárias, mas importantes, agora enriquecidas com esse “manual” escrito por alguém que conhece como poucos a arte do Cordel, da qual é tributário e por isso mesmo tem prestado inestimáveis serviços.

Marco Haurélio

Publicado por Cacá Lopes

Sou cantor e compositor profissional, além de poeta popular. Trabalho com música e cordel.Nasci em Araripina-PE, no sopé da chapada do Araripe, região encantada que deu a humanidade Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga, referenciais sempre presentes em minha arte.

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