O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, empossou na pasta, como conselheiro, o ex-secretário de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio, que, em entrevistas à imprensa, associou a homossexualidade a “desvio de conduta” e afirmou que, para a mulher, é o máximo “estar dando para um policial”.

Damázio é delegado federal aposentado e ex-diretor do Sistema Penitenciário Federal. Na semana passada, ele assumiu vaga no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP). Entre outras funções, cabe a ele fiscalizar prisões nos estados do Nordeste e do Norte, totalizando 16 unidades federativas.
O cargo de conselheiro é o mesmo oferecido em fevereiro à especialista em segurança pública Ilona Szabó de Carvalho. Logo em seguida, após pressão do presidente Bolsonaro e de apoiadores nas redes sociais, Moro revogou a nomeação dela.

Os militantes bolsonaristas passaram a atacar o ministro ao apontar que as posições de Szabó eram divergentes em relação ao governo em diversos temas, como armamento e política de drogas. Os apoiadores também criticaram uma posição contrária de Ilona à candidatura de Bolsonaro durante as eleições.
Em entrevista concedida ao Jornal do Commercio em 2013, quando era secretário de Defesa Social, Damázio foi perguntado sobre casos de exploração sexual de meninas por policiais. Ele relatou um episódio de abuso, supostamente cometido por agentes da polícia de Pernambuco, e concluiu: “Desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu?”.
O então secretário afirmou também que, na sua visão, “homossexualidade não quer dizer bandidagem”. “Mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional. Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia, né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?”.

No período, Damázio também foi questionado pelo JC sobre a possibilidade de instalar câmeras em viaturas policiais, já que agentes as usariam para praticar sexo. Ele explicou que haveria problemas com “associações” e argumentou que as mulheres, às vezes, “se acham” porque estão se relacionando com policial. “O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil. Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda”, afirmou.

Para Damázio, segundo a entrevista publicada pelo Jornal do Commercio, “todo policial militar mais antigo tem duas famílias, tem uma amante, duas”. Ele falou sobre o suposto magnetismo exercido pela categoria em mulheres. “É um negócio. Eu sou policial federal, feio pra c**. A gente ia pra Floresta (cidade do Sertão do São Francisco), para esses lugares. Quando chegávamos lá, colocávamos o colete, as meninas ficavam tudo sassaricadas. Às vezes tinham namorado, às vezes eram mulheres casadas. Pra ela é o máximo estar dando pra um policial. Dentro da viatura, então, o fetiche vai lá em cima, é coisa de doido”, falou à época Damázio sobre um suposto magnetismo exercido pela categoria em mulheres.

No período, as declarações causaram reação de entidades feministas e ligadas à defesa dos direitos humanos, abrindo uma série de debates sobre a permanência de Wilson no primeiro escalão do governo Eduardo Campos. Por consequência, o então secretário entregou o cargo.

Questionado sobre a escolha de Damázio para o cargo, o Ministério da Justiça e Segurança afirmou ao jornal “Folha de S. Paulo” que ele foi um dos responsáveis pela implantação do sistema penitenciário federal e que a escolha do nome foi por razões técnicas. A pasta afirmou ainda que ele já pediu desculpas, à época, pelas declarações de anos atrás e que as falas dele não refletem a posição do ministério.
Fonte: Diariodepernambuco.com.br

Publicado por Dyangellys Batista

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