Cacique Juruna, Assédio Moral e Esquizofrenia Paranóide

Quando o tema do assédio moral vem à tona e alguém se diz assediada moralmente no ambiente de trabalho, à minha mente vem a imagem do Cacique Juruna, o primeiro Deputado Federal do Brasil que não acreditava na palavra do homem branco e sempre andava na Câmara dos Deputados em Brasília com um gravador daqueles grandes antigos muito diferente dos IPOD e MP3 e MP10 que são a maravilha da tecnologia hoje. Cacique Juruna tinha a chamada “desconfiança exacerbada” com o argumento de que o homem branco político prometia e não cumpria, então a necessidade de gravar para depois cobrar as promessas. Sarney, o saudoso Ulisses Guimarães e tantos outros eram os políticos da hora naqueles idos.

Essa mesma desconfiança exarcebada de Juruna se ele não tivesse um gravador na época seria considerada um sintoma de um transtorno paranóide ou de uma esquizofrenia paranóide por algum psiquiatra da época ou de hoje por observação clínica. Pessoas que são assediadas moralmente também são desacreditadas por seus agressores (colegas de trabalho, chefes ou mesmo subalternos) e são criminosamente tachadas de doentes mentais, porque suas queixas são consideradas uma paranóia pelos mobizantes para se safarem do crime hediondo que praticam. Juízes, promotores, conselheiros de tribunais de conta, desembargadores, que não são conhecedores da Medicina, também são tendentes a macularem em sentenças pessoas assediadas como “loucas”. Isso dificilmente ocorre na Justiça do Trabalho, uma vez que os magistrados trabalhistas são expert´s nesse crime invisível e hediondo. Mas os juízes de Direito e promotores públicos da Justiça Comum facilmente embarcam na furada dos agressores para desacreditar o assediado moralmente, tachando-os de desconfiados, estranhos, esquisitos, lunáticos, porque não tem o “expertisse” da gravidade do problema. Aqui em Pernambuco também. O povo leigo, esse nem se fala, vota num candidato hoje e amanhã esquece o nome do indigitado político!!!

Todo assediado moralmente, quando já saiu várias vezes de licença médica do trabalho por depressão, ansiedade, síndrome do pânico e transtorno de ansiedade generalizada (fobia social) pelas humilhações sofridas no trabalho, torna-se agressivo, irritado e inflexível porque está sendo atacado sem ninguém ver ou querer testemunhar e a maioria diz que é “louco”, tem alucinações, delírios e fantasias. Suas queixas são tratadas como “imaginação”.

Aproveitando-se desse quadro das pessoas assediadas que não conseguem fugir do enredamento e quando caem na despersonalização (não saber quem é e que existe, duvida de sua existência e de si próprio, se belisca), são encaminhadas para os ambulatórios particulares e aos serviços de saúde pública oficial como em “estado de loucura” e terminam sendo criminosamente maculadas de esquizofrênicos paranóides (tem alucinações, delírios e fantasias, um mundo próprio onde realidade e fantasia já não são diferenciadas no cérebro).

Isso é um crime bárbaro!

A esquizofrenia paranóide não é caracterizada por uma desconfiança, um isolamento casual, uma sensação auditiva, visual, olfativa ou gustativa falsas que qualquer um pode se enganar, dependendo do estado emocional frágil, da pessoa ser tímida e calada. Até uma parturiente pode ter esses sintomas momentâneos!!!

A esquizofrenia paranóide não é assédio moral nem desconfiança, até porque se o mundo vivesse sem desconfiança a minha casa não teria portas com chaves nem os bancos não teriam alarmes, carro-forte e cofre com senha individual para um funcionário administrador. Nem você, seu zé da padaria, me venderia fiado sem anotar na sua caderneta meu débito.

A esquizofrenia paranóide é uma doença mental grave desencadeada pelo excesso de uma substância química cerebral chamada DOPAMINA que existe também em várias plantas do ritual do Santo Daime e em “drogas recreativas” vendidas cladestinamente em boites europeias e traficadas como a cocaína na América do Sul e que fazem o mesmo efeito das viagens psicodélicas dos “malucos beleza” dos festivais de rock. Causa alucinações constantes, delírios, fantasias em seus portadores. O Assediado moralmente é desacreditado porque o assédio moral é difícil de provar e não pode o mobizado ser comparado a um doente mental, pois as sequelas do assédio moral são de ordem emocional e não mental orgânica.

SANDRO MORAES
ADVOGADO
JORNALISTA

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