Crianças e relações humanas em foco!

Conversas corriqueiras sobre crianças, geralmente, trazem alguns assuntos mais comentados sobre os pequenos: o desempenho escolar, a agitação, a bagunça, os choros, as birras, a “desobediência”, a esperteza, a criatividade, a fantasia, a alegria e o carinho.

Uma informação óbvia, mas que pode nos levar a pensar: os bebês nascem “sabendo” de poucas coisas, por exemplo: respirar, sugar o seio da mãe, tossir. Isso nos leva a considerar que, todos os demais comportamentos que uma criança/adulto passa a apresentar ao longo da vida, são APRENDIDOS, de algum modo, na interação do sujeito com o mundo ele em que vive. Acrescento também outra questão: e como as crianças aprendem? Os estudiosos do comportamento humano apontam que a principal reflexão sobre o modo como as crianças aprendem um comportamento (escrever, falar, andar, pensar, sorrir, sentir) está no fato de que, as ações do ser humano produzem conseqüências que mudam o mundo e as demais pessoas, bem como alteram o comportamento da própria criança.

Vejamos alguns exemplos: nos primeiros meses de vida, um bebê chora devido a algumas condições do seu corpo (fisiológicas) ou do ambiente que estão lhe causando incômodos: fome, sede, dores, frio, calor, luminosidade, barulho. O choro produz conseqüências: a mãe lhe dá o leite ou a água, aquece mais o bebê em cobertas, abaixa-se do volume do som.  À medida que esse bebê vai se desenvolvendo, começa então a aprender que chorar pode produzir pra ele um alívio das condições que o incomodam, digamos que, no início, ele não tem consciência de como esse processo está ocorrendo.Ao passo que em essas conseqüências que se seguem ao chorar vão sendo cada vez mais efetivas em produzir algo de favorável para essa criança, o comportamento de “chorar”, passa a ter outras funções ou finalidades. Um exemplo é a criança que pode chorar ao querer manipular um objeto que não está ao seu alcance e em seguida ter esse objeto, a criança pode ainda chorar com a função de obter a interrupção da atividade escolar que não está sendo agradável para ela. Há algo a ser destacado: a criança não chora porque “quer” chorar. Ela aprendeu que fazendo isto, tem chances de obter algo ou de sair de uma condição aversiva.

Assim como o choro, vários outros comportamentos são aprendidos pela criança e se mantém porque produzem alguma conseqüência importante para ela. Isso implica em considerarmos que são nas RELAÇÕES que a criança estabelece (com os pais, irmãos, outros familiares, professores, amigos) que está centrado o foco da descrição (explicação) de seus aspectos comportamentais.

Visto isso, cabe pontuar que: 1) Crianças podem não saber expressar os seus desejos, frustrações e sentimentos como nós adultos o fazemos, elas precisam APRENDER. 2) Não é simples, por ex, uma criança aprender a ler. Esse comportamento envolve complexas relações neurológicas, do pensamento, da memória, da abstração; portanto, ela precisa APRENDER a ler do modo que lhe seja mais fácil e prazeroso. 3) Esses aspectos aqui mencionados, implica em considerarmos que não existe uma natureza infantil que seja “briguenta”, “preguiçosa” ou “desorganizada”. O que existem são relações humanas e condições do ambiente em que a criança vive que possibilitaram ela aprender comportamentos inadequados ou adequados (não deixando de considerar que existe também uma influência dos aspectos biológicos sobre o comportamento humano, é o caso de crianças com necessidades especiais).

Tomo esta data simbólica do Dia das Crianças, para convidar o leitor a pensar sobre mudanças de posturas que violam os direitos infantis. Sinalizo assim, a necessidade de construção de relações familiares, escolares e comunitárias mais eficazes em promover o desenvolvimento físico, social, afetivo e a autonomia de crianças mais saudáveis e felizes, dentro das possibilidades e dos valores culturais de cada família inserida em uma dada sociedade.

“Semana da Pessoa com deficiência”- A acessibilidade.

Na semana que se segue, entre os dias 24 e 30 de agosto, fomentam-se discussões e manifestos acerca da Inclusão Social de pessoas com deficiência. Um dos termos mais utilizados em tais manifestações é a ACESSIBILIDADE. Mas, o que isso quer dizer?

Compreende-se que toda e qualquer pessoa, independentemente de sua condição física ou mental deva ter acesso aos mesmos direitos que as pessoas que não possuem necessidades especiais. Sabemos que os diretos reservados ao exercício da cidadania são assegurados por nossa legislação federal e também pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desse modo, como um instrumento efetivação da garantia do exercício dos direitos, a acessibilidade pode ser entendida como os mecanismos viabilizados para que o indivíduo possa de superar as dificuldades de acesso ao mundo. Sendo assim, acessibilidade constitui-se enquanto um conjunto de estratégias para minimização de dificuldades das pessoas com deficiência, como por exemplo dessas limitações: a incapacidade ou grande dificuldade  de ver, ouvir ou deslocar-se,  dificuldade visual para ler ou compreender textos, dificuldade para falar ou compreender, fluentemente a língua falada ou em que o documento foi escrito.

            Existe a acessibilidade arquitetônica que é normatizada pelo desenho universal, aonde se têm descritas todas as normas de engenharia para a construção de mecanismos de acesso mais seguros tais como as rampas, corrimões, portas, banheiros, dentre outros. Convém lembrar que os dispositivos de acesso devem ser construídos segundo essas regulamentações, pois de modo inverso, podem trazer danos a pessoa com dificuldade de locomoção.  Existe  a acessibilidade à informática, que se refere aos dispositivos de inclusão digital para as pessoas com deficiência;  temos também as LIBRAS (língua brasileira de sinais), o sistema de codificação Braille e muitos outros mecanismos de acessibilidade.

            Quero, contudo, chamar a atenção para o fato de que talvez um tipo de acessibilidade de grande relevância, sejam as nossas atitudes para com as pessoas com deficiência.  Aprender a se relacionar com as pessoas por gostar do que elas sentem, pensam ou fazem e não apenas porque são cegos, surdos ou cadeirantes, constitui-se enquanto o principal desafio de uma proposta para uma sociedade mais harmônica e inclusiva.

Até que ponto temos sido acessíveis para conviver, de fato, com as diferenças?Talvez, reconhecer a nossa história de aprendizagem dos preconceitos e tomarmos consciência da necessidade de mudanças nos nossos valores e atitudes, seja o primeiro passo para a construção de uma sociedade acessível. O que dizer da socidade araripinense em relação a construção de mecanismos de acessibilidade?

Uma palavrinha sobre a Inclusão Social !

Os antecedentes históricos nos quais se fundamenta essa temática datam da Grécia ou Mundo Antigo onde as crianças com deficiência física ou  mental eram jogadas nos esgotos ou do alto de montes. Na Idade Média, as pessoas com deficiência só encontravam abrigo nas igrejas, lugar aonde viviam isoladas do convívio com a sociedade; os deficientes tinham a função de “bobos da corte” e eram vistos como seres diabólicos que mereciam castigos para terem seus demônios expurgados.

Passados os séculos, as transformações sociais, econômicas e culturais, possibilitaram que novas práticas discursivas fossem sendo construídas e a percepção das pessoas com deficiência mudou consideravelmente.Nesse processo,  a  Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e  a Declaração de Salamanca (1994), constituem-se enquanto os principais dispositivos legais que asseguram e legitimam  o acesso das pessoas com necessidades especiais aos Direitos constitucionalmente estabelecidos para todos os indivíduos de uma sociedade.

Falar em Inclusão Social envolve necessariamente reconhecer que toda a pessoa tem o direito a segurança, proteção,  afeto, educação, moradia, saúde e lazer, independentemente da sua condição física ou mental. Defender as temáticas de Inclusão, é reconhecer que o acolhimento à diversidade humana, constitui-se enquanto a principal atitude a ser tomada em relação ao outro. A criança, que, por uma mutação genética, uma má formação nas estruturas neurológicas , um acidente cotidiano ou que foi exposta a um ambiente de contingências aversivas e por isso teve as suas funções físicas ou mentais alteradas, não pode e não deve ser excluída dos cuidados da família, da sociedade e do Estado. Infelizmente, a maior parte das deficiências mentais e físicas é associada a alguém que será “improdutivo”, que não poderá contribuir para o funcionamento da “máquina do capital”. De fato, alguns tipos mais graves de comprometimentos podem “incapacitar” o sujeito para o exercício de algumas importantes funções. Ocorre que, uma grande parte das deficiências físicas ou mentais, poderia ter seus efeitos minimizados, se os sujeitos tivessem acesso a um sistema de educação, de tratamentos de saúde e formação profissional adequados.  

Sem a pretensão de finalizar um tema de ampla necessidade de discussão, pontuo que ao falarmos em educação, tratamentos de saúde, e outros mecanismos de assistência, não estamos querendo tornar as pessoas com necessidades especiais iguais as outras pessoas sem essas necessidades;  afinal de contas, foi a própria condição de diversidade, de variabilidade,  que tornou a espécie humana capaz de evoluir. Reconhecer que aqueles primeiros possuem particulares diferenças, assim como todas as outras pessoas também são diferentes entre si, é reconhecer que ser diferente não é ser melhor e nem pior, em termos de um julgamento valorativo. O que se preconiza é a viabilização de mecanismos de assistência que reduzam as dificuldades enfrentadas em função do comprometimento físico ou mental que a pessoa possui e, com isso, melhorar a sua qualidade de vida.

            Os discursos não devem encerrar-se no âmbito da utopia. A efetivação da Inclusão Social se embasa em ações, em formulação de estratégias inclusivas e é para refletir sobre essas estratégias que a presente discussão convida os leitores.

“Vícios Elegantes e Deselegantes”*

O consumo de substancias psicoativas, ou “drogas” tem sido alvo de um extenso debate. Os discursos tendem a recair no âmbito do proibicionismo, da ilegalidade do consumo de algumas substâncias ou do incentivo ao uso de outras.  As práticas que legitimam ou não o uso de algumas “drogas”, possuem determinantes históricos e culturais, que respondendo aos interesses de determinados grupos em determinadas épocas, associaram algumas substancias à marginalidade, e outras não.

No Brasil, infelizmente, quanto mais o Estado vialibiza medidas que visam a repressão do consumo, mais é observado o aumento do tráfico de entorpecentes e as desastrosas conseqüências que esse tráfico produz: violência, mortes, desigualdades sociais, mais penitenciárias, mais consumo, mais custos aos cofres públicos.

É cada vez mais evidente um fracasso na posição ideológica que sustenta a chamada “Guerra as Drogas”, em função de que, dentre outros fatores,  nunca houve nenhuma civilização na história da humanidade que não tenha consumido algum tipo de substancia psicoativa*. Desse modo, a proibição do uso da substancia em si, não tem se mostrado o caminho mais eficaz. Nesse contexto,  a liberação irrestrita talvez também não seja a solução para se “acabar” com o consumo, justamente, por que a história da humanidade sempre foi atravessada por grupos que fazem uso de psicoativos (uso é diferente de abuso). Chama-se atenção para o fato de que enquanto substancias como a maconha, heroína, cocaína, são categorizadas como inapropriadas para o consumo, outras substancias como o tabaco (cigarro) e o álcool, mesmo diante de todas as advertências fornecidas pelo Ministério da Saúde quanto aos males que podem provocar, tem o seu consumo legalizado, sendo deixado a encargo do sujeito, a “opção” de escolher ou não pelo uso. O dia 31 de Maio foi tomado como dia de mobilização mundial para alerta aos possíveis malefícios decorrentes do uso do cigarro, bem como das prováveis conseqüências e dos impactos em termos de custos para o SUS para os tratamentos da saúde dos consumidores.

Convém refletir sobre quais interesses embasam a liberação de substancias potencialmente danosa a saúde dos indivíduos (cigarro e álcool) e proibição de outras substancias (maconha, etc) o que tem gerado graves impactos sócio-economicos em função do tráfico que reforça o consumo do “ilegal”. A violência, bem como a circulação de altos valores monetários só reforça esse círculo de um “vício deselegante”, enquanto a mídia, a indústria tabagista e do álcool, que respondem à filosofia neoliberal do capital de consumo, produz e incentiva o uso do cigarro e do álcool, como  um “vício elegante”.

 A presente discussão não objetiva condenar o proibicionismo e nem apoiar a legalização irrestrita. O objetivo é refletir sobre o fato de que uma possível estratégia seja não focar o olhar apenas para o consumo de um uma substancia em si e para as alterações dos estados de consciência que ela provoca, mas para necessidade de que se criem redes de diálogos, educação, informação e discussão acerca das variáveis que levam e mantém sujeitos consumindo certas substancias de forma abusiva, bem como das consequências que podem ser oriundas dessa prática. sexpromo Uma sociedade que reflita acerca dos prejuízos que o uso abusivo de certas substancias podem ocasionar, pode ser mais beneficiada do que uma sociedade que apenas reproduz o discurso de que “é proibido”, sem a consciência de que essa atitude não tem produzido os efeitos esperados.

 

*Referencias  Bibliográficas :

-ESCOTHADO, A. História Elementar das Drogas. Lisboa: Antígona, 2004.

-Lei 11.343/06 e os repetidos danos no proibicionismo. Drogas e Cultura: EDUFBA, 2008.

O Direito a Saúde em Araripina – SUS.

* Hélida Luanna Reis

 

 

O Brasil é um país que, desde o seu processo de colonização, foi submetido a condições de exploração de seus recursos materiais e humanos. Elites dominantes, escravidão, alta taxa de concentração de poder e de riqueza, práticas coronelistas e clientelistas, ditadura militar, corrupção… Nesse contexto, parece que as noções de cidadania e de direitos, foram renegadas às camadas populacionais de nível socioeconômico mais baixo. Isso significa que as atuais condições em que vive a população não são “naturais”, elas são produtos de processos historicamente construídos e que com as devidas intervenções são possíveis de serem alteradas.

Ao longo de muitos anos, não se cogitaram ações práticas sobre a saúde da população enquanto um direito a ser garantido pelo Estado, é apenas em 1988 com a legislação do SUS que Saúde se torna um Direito.

Como se sabe, o Brasil é um país que possui uma diversidade imensa em suas camadas populacionais, as desigualdades socioeconômicas não permitem que a maioria da população tenha acesso aos serviços de atenção médica em um consultório privado. Atualmente, a estruturação e o estabelecimento do SUS é que tenta solucionar esse problema social. Muitos desafios tem se manifestado nesse processo de implantação, o que exige das autoridades responsáveis pelo gerenciamento dos recursos humanos e materiais da saúde pública, um conhecimento específico e ações eficazes sobre as reais necessidades de saúde próprias de seu município, uma habilidade de manejo e gestão das equipes de saúde e um comprometimento ético com os princípios que fundamentam a implantação do SUS.

Convém esclarecer que “ter saúde como um direito” não significa apenas que as pessoas irão ter uma consulta médica e esse saber do médico irá resolver o problema da doença apontada pelo sujeito. O SUS preconiza que os cidadãos sejam co- participantes do processo de se promover saúde e não apenas curar doenças. Estar saudável exige uma série de condições que não se resumem apenas a tomar uma medicação prescrita. O conceito de saúde é algo mais amplo e que convida a comunidade a se questionar sobre o papel que cada esfera social ( escola, igreja, Estado, família) tem na melhoria das condições de saúde dos indivíduos.

Muitas estratégias tem sido desenvolvidas para que o SUS venha a cumprir o papel ao qual se destina: propiciar melhoria na qualidade de vida da população brasileira. Atualmente as universidades, as instituições políticas, encontram-se em um momento de discussão calorosa sobre a necessidade de consolidação das estratégias de assistência a saúde que são preconizadas pelo SUS .

Esse artigo tem o objetivo convidar os caros leitores para algumas reflexões:

– O que é estar saudável? Ter saúde depende de que?

-A assistência a SAÚDE É UM DIREITO do cidadão E NÃO UM BENEFÍCIO OU UM FAVOR CONCEDIDO.

– O principal problema enfrentado para a consolidação do SUS não é a falta de recursos, mas o gerenciamento dos mesmos.

-O que os cidadãos araripinenses tem feito pela busca de melhores condições de assistência a saúde da população?