13º salário irá injetar cerca de R$ 211,2 bilhões na economia

O 13º salário irá injetar cerca de R$ 211,2 bilhões na economia neste ano. A maior parte desse montante será voltada para quitar dívidas. Com crescimento real abaixo de 1% ante 2017, especialistas preveem apenas 30% desse total direcionados ao comércio.

A projeção para a injeção foi divulgada ontem, pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e representa aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

Segundo o levantamento, cerca de 84,5 milhões de brasileiros serão beneficiados com o rendimento adicional – cujo salário médio é de R$ 3.320. Em 2017, eram 83 milhões de trabalhadores, com a média de R$ 2.251.

De acordo com o professor da Faculdade Fipecafi George Sales, apesar de ser um volume expressivo de dinheiro, o orçamento comprometido das famílias nos últimos anos tende a direcionar a maioria do recurso para o pagamento de dívidas.

“Eu não sou otimista em relação a isso. A maior parte do dinheiro será para quitar compromissos e provisionar o pagamento das contas de início do ano. Acredito que apenas 30%, no máximo, iria para o comércio”, afirma.

Dos cerca de 84,5 milhões de brasileiros que devem ser beneficiados neste ano, 57,6% (48,7 milhões) são trabalhadores no mercado formal. Os aposentados ou pensionistas da Previdência Social (INSS) representam 41,2% do total (34,8 milhões).

Para o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre, no entanto, as projeções são “bastante conservadoras” uma vez que o levantamento considera apenas as pessoas que “com certeza” terão acesso ao 13º salário.

“Existem assalariados sem carteira assinada, autônomos e outras formas de inserção no mercado de trabalho que receberão o 13º, mas que não estão quantificados”, explica ele.

O coordenador pondera que a atual situação da conjuntura deve ser levada em consideração. “Em uma economia mais aquecida, um percentual diferente seria destinado ao consumo, por exemplo. Mas isso avança mais lentamente.”

Do montante de R$ 211,2 bilhões a ser pago até dezembro, cerca de 66% (R$ 139,4 bilhões) irá para os empregados formalizados, incluindo os trabalhadores domésticos. Além disso, outros 34% (R$ 71,8 bilhões), serão pagos aos aposentados e pensionistas.

Perspectivas futuras

As expectativas para 2019, no entanto, dependem do resultado eleitoral que, para os especialistas, trará cenários mais esclarecedores.

“As pessoas ainda estão um pouco receosas. Há esperança, com certeza, mas todos agora estão esperando para saber quem será eleito e o que será executado ao longo da gestão”, comenta Sales, porém, acrescenta que independente do novo presidente, “não há espaço para grandes mudanças”.

“Entraremos em 2019 com um orçamento fechado e o governo só desenhará sua gestão no ano que vem. É preciso cuidado para não virar grandes euforias”, completa.

“As vendas deste fim de ano, porém, servirão de termômetro para o que podemos esperar de efeitos nos próximos meses. Normalmente temos um aumento das vendas, mas o endividamento das famílias ainda será um empecilho.”

Além disso, segundo o levantamento, a maior parcela a ser distribuída caberá aos empregados no setor de Serviços (64,1%), seguido pela Indústria 17,4%, Comércio (13,3%), Construção Civil (3,1%), Agropecuária (2,1%).

Silvestre lembra, porém, que os movimentos sazonais relacionados às vendas do final do ano, apesar de trazerem também novos empregos temporários – o que poderia trazer maior injeção à economia – tendem a ter “condições piores do que o ano passado”.

“A contratação temporária traz milhares de empregos gerados e isso também poderia ajudar a economia, mas a reforma trabalhista pode trazer condições piores aos trabalhadores”, avalia o especialista.

“É preciso esperar e ver o quanto esses movimentos serão benéficos”, conclui.

Fonte: jconline.com.br

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